terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Anelis Assumpção – Amigos Imaginários (2014)

Que tempo é algo valioso todos já sabem, especialmente nos dias de hoje. São tantas informações, tantos compromissos, tantos desejos e tantas pessoas pra conversar no WhatsApp ou nos e-mails corporativos, que pedir tempo para alguém é quase uma mendicância. É pedir demais.

Quando Anelis Assumpção pede nosso precioso tempo na faixa inicial de Amigos Imaginários, soa discursivamente vaga. Ela aposta é na sonoridade funkeada formada pela trupe Bruno Buarque (bateria), Cris Scabello (guitarra), Mau (baixo) e Zé Nigro (guitarra/órgão), que soa bem mais atrativa que sua voz suavizada. ‘Eu tô aqui pra jogar conversa dentro’, é o termo usado pela paulista.

O decorrer de Amigos Imaginários dá falsas pistas de qualquer expectativa que se cria. Não há tantos personagens fictícios. Ela não devolve nosso bem valioso. Pouco dessa ‘conversa dentro’ soa tão interessante quanto, insisto, nosso tempo.

Isso não faz de Amigos Imaginários um disco ruim. O pecado da introdução não impede que a cantora se redima na obra.

Em pouco tempo de carreira, Anelis pareceu fincar a proposta de contextualização pessoal num ambiente urbano. Musicalmente, não difere muito de cantoras como Céu ou Tulipa Ruiz – apesar de não ter o prestígio de uma nem a habilidade de outra, também não tenta competir.

O que a cantora melhor expurga em sua obra é o diálogo de gêneros: da marchinha de seu Carnaval pessoal de “Song to Rosa” ao flamejante rock de “Declaração” (com a marcação de guitarra que já tornou característica de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos no Passo Torto), Anelis Assumpção usa melhor sua liberdade para trafegar que aprimorar.

Enquanto a necessidade de registrar a personalidade musical era o norte de Sou Suspeita Estou Sujeita Não Sou Santa (2011), o novo álbum é como um passeio pelo que acontece na cena musical paulista. No caldo, vai rap (“Devaneios”, com participação de Russo Passapusso), música caribenha e o potente rock feminino de “Minutinho”, muito parecido com o que Tulipa Ruiz impôs em Tudo Tanto (2012).

Evolução não é bem o que se encontra em Amigos Imaginários. É na continuidade de um trajeto pessoal e abertamente inclusivo que se inclina a aura otimista do álbum. Fala de relacionamentos com segurança de menina em “Mau Juízo”, joga questionamentos ao léo em “Por Quê?” e segura o tesão (que me parece virginal) em “Toc Toc Toc”. São letras inocentes, tranquilas, pra ouvir num piquenique ou pra curtir sem compromisso com a paquera.
Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Cê tá com tempo? - Anelis Assumpção
02 - Eu gosto assim - Anelis Assumpção
03 - Mau Juízo - Anelis Assumpção
04 - Inconcluso - Anelis Assumpção 
05 - Por quê? - Anelis Assumpção
06 - Devaneios - Anelis Assumpção e Russo Passapusso
07 - Toc Toc Toc - Anelis Assumpção
08 - Song to Rosa - Anelis Assumpção
09 - Declaração - Anelis Assumpção, Céu e Kiko Dinucci
10 - Minutinho - Anelis Assumpção, Alzira E, Arruda e Jerry Espindola
11 - Deuso Deusa - Anelis Assumpção

Tom Zé – Vira Lata na Via Láctea (2014)

Em seu mais recente códice, o druida de Irará conjurou visões do futuro em sua bola de cristal wireless e previu que o porvir da Geração Y não vai ser muito diferente do da Geração Z, da Geração Saúde, da Geração Coca-Cola e muito menos do da Geração das Utopias.

"Daqui a alguns anos / vamos ter de governar, infelizmente governar / Oh, e os nossos ideais, ai, quem diria / no mesmo camburão da burguesia / Uma renca de parentes atender / nos ritos e delitos do poder / Puta, que tragédia / desaba sobre nós! / logo depois que a ilusão tem voz", recita um melancólico e sardônico Tom Zé logo na faixa de abertura do seu novo álbum, Vira Lata na Via Láctea.

"Este é meu primeiro disco, desde 1976, que sai sem um tema central. São várias músicas sobre assuntos diferentes em cada uma", conta Tom Zé, por telefone, de São Paulo.
"No caso da faixa Geração Y,  eu  tive uma tendência imediata de simpatizar com ela porque voltaram a dar atenção à ética. A última vez que ouvi falar em ética foi na minha infância em Irará", afirma.

"Imagine a tarefa dessas criaturas quando forem chamadas a governar. Isso me inspirou no refrão como se fosse uma tragédia, porque se vai entrar num campo de trabalho onde a ética é chutada para escanteio, que é a política", observa Tom Zé.

Inspirado (e quando ele não o foi?), o artista volta seu olhar crítico, irônico e poético em várias direções: Esquerda, Grana e Direita (autoexplicativa), a mídia impressa (Banca de Jornal, parceria com Criolo), a usura (Mamon), Irará (duas faixas: Guga na Lavagem e Irará Irá Lá), patrulha ideológica (Papa Perdoa) e até para o próprio umbigo (A Boca da Cabeça), entre outros temas.

Este também deve ser o álbum de Tom Zé com o maior número de parcerias e participações. Além de Criolo, outros nomes significativos da atual nova MPB comparecem, como as bandas O Terno, Trupe Chá de Boldo e Filarmônica da Pasárgada, os músicos Silva, Kiko Dinucci e Daniel Maia.
Mas surpresa mesmo é ouvir Tom Zé cantando em dueto com Milton Nascimento (em Pour Elis, homenagem a Elis Regina) e Caetano Veloso (Pequena Suburbana).

"Fiz essa letra em 1987, a partir de uma carta que Fernando Faro fez para um vídeo do aniversário de morte da Elis. Quando li, eu:  'puxa, isso tá tão bem escrito!' Comecei a cantar de brincadeira e fiz uma música dando mais importância à melodia, coisa que nem sempre eu faço. Quando Marcus Preto (jornalista, atualmente produzindo a biografia de Tom Zé) viu, disse: 'isso é a cara do Milton. Milton gostou e gravou", relata o músico.

Já Caetano, sobre quem pesava acusações de ter "abandonado" o iraraense durante o ostracismo que este viveu após a Tropicália, Tom Zé faz questão de desfazer a noção.
"Nunca teve abandono. Cada pessoa estava do seu lado, se virando com seus problemas. Não é possível ninguém carregar ninguém no colo. Tem um ditado que é assim: 'Se uma pessoa estiver se afogando e a outra quiser salvar, morrem os dois'", afirma.

"A verdade é que ele e Gilberto Gil fizeram, com o Tropicalismo, o campo artístico mais profícuo do movimento. A música acabou sendo a estrela principal do Tropicalismo. Isso se deve a ele e ao Gil, os quais,  quer queira, quer não, são pessoas que podem ser chamadas de gênios", diz.
Por Chico Castro Jr.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 – Geração (GY) – Tom Zé e Henrique Marcusso
02 – A Quantas Anda Você? – Tiago Araripe
03 – Banca de Jornal – Criolo e Tom Zé
04 – Cabeça de Aluguel – Tom Zé
05 – Pour Elis – Tom Zé e Fernando Faro
06 – Esquerda, Grana e Direita – Tom Zé
07 – Mamon – Tom Zé
08 – Salva Humanidade - Tom Zé
09 – Guga na Lavagem – Marcelo Segreto e Tom Zé
10 – Irará Irá Lá - Tom Zé
11 – Papa Perdoa Tom Zé - Tom Zé
12 – retrato na Praça da Sé - Tom Zé
13 – A Boca da Cabeça - Tom Zé
14 – A Pequena Suburbana – Caetano Veloso e Tom Zé

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Juliana Sinimbú – Una (2014)

Por ter crescido em um ambiente muito musical, Juliana – paraense por parte de pai e paraibana por parte de mãe - tornou-se uma ouvinte atenta. Até que a música decidisse que Juliana seria cantora, tornou-se também leitora assídua, quase-arquiteta, ilustradora e mãe.

Sua musicalidade é fruto de estudo, ouvidos atentos e olhos abertos. O talento para o canto é um entre muitos. E dele nasceu uma nova Juliana, a compositora. Suas composições surgiram quando passou a se ouvir mais, a ouvir aquilo que já dizia, mas que era guardado. O mundo, nesse novo passo, trouxe causos, crônicas, amores reais e querências de uma mulher resolvida, com coragem de compor o que é. Suas melodias despontam como seus passos, com simplicidade e elegância, passeando por praças, bares e praias. Natural como toda música de verdade.

Coleciona em seu currículo diversos shows e já esteve ao lado de outros artistas representando o país na França (2009, percorreu cinco capitais brasileiras, por meio do projeto Conexão Vivo (2011/2012).

Amadurecida e certa de que muito ainda há para aprender, Juliana Sinimbú propõe ser uma artista de ouvidos abertos, braços e ideias desobstruídas.
E é assim seu novo trabalho: UNA.

Resultado de mais de dois anos de maturação, UNA é um projeto que reúne músicas que falam o que diz a própria Juliana Sinimbú. É real, é um disco  que revela, sobretudo, músicas de seu entorno, seu cotidiano e, principalmente uma linha rítmica de uma vasta América Latina. É um álbum para cantar e ouvir histórias. Com eu-lírico feminino, liberta linguagens musicais coloquiais, tal qual afronta aos que nunca souberam ouvir a verdadeira voz de uma mulher.

Com direção musical de Donatinho, o álbum traz composições autorais, músicas de Dona Onete (Não me provoca), Marcela Belas (Ó), João Donato (Nua idéia, C/Caetano Veloso), Otto (Vodka, parceria inaugural com Juliana), entre outros. Não à toa, faz parte do seleto cast da Natura Musical e promete ser um dos grandes lançamentos do ano de 2014... E conselho de pai e mãe, você sabe, são preciosos: abra seu coração e ouça até o final.
Por LORENA FILGUEIRAS

Preço – R$25,00

Faixas:
01 – Clarão da Lua – Almirzinho Gabriel
02 – Quero Quero – Iva Rothe
03 – Simpatia - Juliana Sinimbú
04 – Vodka - Juliana Sinimbú e Otto
05 – Abraça - Juliana Sinimbú e Renato Torres
06 – Para um Tal Amor - Juliana Sinimbú
07 – Não me Provoca – Dona Onete
08 – Delicadeza - Juliana Sinimbú
09 – Ó – Marcela Belas, Helson Hart, Tenilson Del Rey
10 – Pra Voce Voltar - Juliana Sinimbú
11 – Nua Ideia – Caetano Veloso e João Donato

Espaço do Artista


Bratislava – Carne (2013)

Bratislava é uma banda paulistana de rock alternativo. O trio reúne sons e cores que formam um caldo curioso, juntando acontecimentos do dia a dia a cenários absurdos e fantásticos. A banda é composta por Alexandre (guitarra/vocais), Victor (baixo/vocais) e Lucas (bateria).

CARNE é o primeiro álbum da banda, com 12 canções inéditas. O disco conta a saga de um protagonista sem nome, que vaga por cenários realistas e absurdos - desde uma caminhada pela avenida Paulista até o vislumbre de um jardim asteca no meio do sertão - questionando seus próprios demônios e enigmas, botando em cheque os costumes sociais, a normalidade, os vícios da memória, a vida eterna e o paradoxo da perfeição.

“Sabe aquele sentimento bom que você sente assim que escuta os primeiros acordes de uma música? Aquela mágica derivada de um conjunto de notas bem encaixadas e produzidas que, ao entrar dentro de nossos ouvidos, nos conduzem a um simples sorriso? Essa gostosa surpresa faz parte do primeiro long play da banda Bratislava” – Marcos Xi, Rockinpress.

“Uma das coisas mais legais na atual cena roqueira por aqui é deixar-se levar por distintas influências. No caso da Bratislava, eles pegam coisas do tango, música cigana e temas fantasiosos em composições fortes o bastante para trabalhar o imaginário do ouvinte.” – Tiago Ferreira, Na Mira do Groove.

Preço – 20,00

Faixas:
01 – Jardim Asteca
02 – Curandeiro de Velhos Perdidos
03 – Mapa do Deserto
04 – Discurso Batido
05 – Aconchego
06 – A Massa que dá Fortuna
07 – Carne
08 – Fôssemos Gatos
09 – Holga
10 – C’alma
11 – Vermute
12 – De Onde Não se Vê o Céu
13 – esperanza

Espaço do Artista

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sambatrônica - Copa e Cabana (2014)


Música e futebol-arte, Copa do Mundo no Brasil, na cobertura do AP em Copacabana, a Copa na TV, na cabana senzala do preto velho, batuque, samba.

O produtor baiano André t e o DJ Mauro Telefunksoul assinam as bases eletrônicas. O repertório foi gravado em São Paulo e Salvador. O projeto tem a produção musical de Jonga Lima que faz a direção musical ao lado de Ricardo Marques. O disco foi mixado por Alfredo Martins, masterizado por Caji e tem a participação especial das cantoras Marcela Bellas e Amora Lima e do Mc Morcegão. Uma produção independente da Macaco Beleza, com supervisão artística de Helson Hart.

A musicalidade destilada em nove anos de alquimia poético-sonora encontra agora versos com fome de bola, gramado, estádio, torcida gritando gol: Copa e Cabana é um projeto de show e disco temáticos sobre o futebol-arte.

Preço – R$20,00

Faixas;
01 - Brazuca - Jonga Lima, Helson Hart, Kaito Marques e Ricardo Marques
02 - Pintura - Jonga Lima, Helson Hart e Kaito Marques
03 - Alegria de Domingo - Claudinho David
04 - Festa do Gol - Edil Pacheco e Roque Ferreira
05 - Embolation - Jonga Lima, Helson Hart e Kaito Marques
06 - A Grande Gafe - Jonga Lima, Ricardo Marques, Helson Hart e Ana Lívia
07 - Bar da Mare - Gabriel Carvalho e Tangre Paranhos
08 - O Melhor Lugar do Mundo - Jonga Lima e Helson Hart
09 - Madona da Pelada - Jonga Lima, Ricardo Marques, Helson Hart, Mario Mukeka e Claudinho David
10 - Copa e Cabana - Jonga Lima, Helson Hart e Claudinho David  

sexta-feira, 23 de maio de 2014

João Bá para crianças - Amigo Folharal (2011)

Amigo folharal - João Bá para crianças é uma coletânea de músicas com temática infantil lançada em 15 de maio de 2011 por João Bá. O disco contém músicas já lançadas previamente e traz apenas três inéditas, sendo elas Amigo Folharal, Bizunguinha e Bicho da Seda.

O disco foi idealizado e produzido por Nanah Correia, que também participa nos vocais. Por ser um lançamento independente, sua comercialização foi bastante restrita e sua promoção foi feita basicamente pelo circuito alternativo por meio de pocket-shows e pela internet, como no programa Todos os Cantos (Edição 124), da Rádio UOL 2 .

Participaram das gravações nomes que sempre estiveram ao lado do compositor, especialmente o músico mineiro Dércio Marques, que também escreveu a nota de apresentação do álbum.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Amigo Folharal - João Bá e Lila
02 - O Menino e O Peixe-Boi - João Bá e Barretinho
03 - Bizunguinha - João Bá e Adolfo Figueiredo
04 - Bicho da Seda - João Bá e Galba
05 - Desenho Animado - João Bá e Lila
06 - Menino de Roça - João Bá e Dércio Marques
07 - Reforma Agrária dos Anuns - João Bá e Vidal França
08 - O Menino e O Mar - João Bá
09 - Abrolhos - João Bá e Lila
10 - Papai Noel Brasileiro - João Bá e Vidal França
11 - Para Pa Tu - João Bá e Lila
12 - Corujinha - João Bá e Ione Seiva
13 - Circo das Ilusões - João Bá e Klécius Albuquerque
14 - Salve A Música - João Bá
15 - Terno do Boi Janeiro - João Bá e Klecius Albuquerque
16 - O Menino e O Mar - João Bá    

terça-feira, 8 de abril de 2014

Baião de Três – Instrumental Sesc Brasil – DVD (2011)

A mistura de pífanos às sonoridades jazzisticas e tons eruditos formam a estética musical do grupo de música instrumental Baião de Três, formado por Heráclito Dornelles (bateria, pifanos e samples), Ricardo Brito (piano) e Hercílio Antunes (contra-baixos).

Preço – R$30,00

Faixas:
01 - Espriguiçando - Hercílio Antunes
02 - Baião Bravo - Ricardo Brito
03 - Água de Quartinha - Heráclito Dornelles
04 - Oxe!, Vai de 3 Tchê! - Ricardo Brito
05 - Solo Bass - Hercílio Antunes
06 - Baião de 3 - Ricardo Brito
07 - Ave Maria Sertaneja - Luiz Gonzaga

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Carlos Careqa - Palavrão (Música Infantil Para Adultos) – 2014

Palavrão Música Infantil para Adultos. Um disco infantil iconoclasta. Um disco infantil para adultos. Um CD que vai revirar as estruturas vigentes sobre fazer música para crianças adultas.

Nós temos que viver conforme o nosso tempo. Estamos no século XXI e ainda tratamos nossas crianças adultas como se estivéssemos no século 19. As crianças adultas cresceram. Acessam internet, veem televisão abertamente e certamente sabem sobre tudo.

Porém fingimos que não vemos. Elas gostam de falar bobagem sem culpa, sem medo. Querem ouvir falar sobre Peito, Arroto, Morte, Peido, Masturbação, etc, etc.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Porque Que A Vovó Tá Fria?
02 - Exame de Fezes
03 - Rap do Peido
04 - Hora do Banho
05 - O Diamante Azul do Vovô
06 - O Menino e A Menina
07 - Onde é Que Fica
08 - Soca O Pilão (Funk Macrô)
09 - O Tio Augusto
10 - Meleca
11 - A Tia da Escola
12 - Eu e Reginaldo
13 - Auto-Felácio

Composições de Carlos Careqa

Espaço do Artista




A Banda Mais Bonita da Cidade - O Mais Feliz da Vida (2013)

O último álbum da Banda Mais Bonita da Cidade foi lançado no dia primeiro de outubro de 2013: não por acaso, no Dia Internacional da Terceira Idade.
O disco celebra a vida: na felicidade e nas intempéries… na juventude e na velhice.
A faixa título abre o álbum e foi produzida por Chico Neves (Lenine, Os Paralamas do Sucesso, O Rappa, Los Hermanos).

Além de compositores presentes no primeiro disco (Luiz Felipe Leprevost, Troy Rossilho, Alexandre França, Vitor Paiva, Rodrigo Lemos, entre outros), o novo repertório conta também com releituras de canções de Pélico e Nuno Ramos.

O disco também conta com a estreia da vocalista Uyara Torrente como compositora, com a densa “Um Cão Sem Asas”. A banda apresenta um registro mais maduro, fruto de dois anos de parcerias, experiências pessoais e estrada, e sugere uma mudança sonora sem abrir mão de suas principais características, trazendo para o estúdio a atmosfera dos shows. Tal dualidade se faz presente através de uma audição dividida: um lado mais quente, para ser cantado em multidões; e outro mais escuro, voltado à introspecção.

Contrapondo o trabalho de estréia (“A Banda Mais Bonita Da Cidade”, de 2011), “O Mais Feliz da Vida” é conceitual (inspirado no formato já consagrado por artistas como Arcade Fire e Pink Floyd). O álbum propõe uma reflexão sobre as etapas da vida, com todas as suas alegrias, fracassos, superações e o fim. O resultado é uma ode às pequenas impossibilidades, gerando reflexões para serem carregadas por toda a vida.

Preço R$25,00

Faixas:
01 - O Mais Feliz da Vida - Rodrigo Lemos
02 - Potinhos - Luiz Felipe Leprevost e Thayana Barbosa
03 - Que Isso Fique Entre Nós - Pélico
04 - Saindo de Casa - Alexandre França
05 - Deixa Eu Dormir Na Sua Casa - Luiz Felipe Leprevost, Troy Rossilho e Alexandre França
06 - A Balada da Contramão - Rodrigo Lemos
07 - Uma Atriz - Vitor Paiva
08 - Um Cão Sem Asas - Vitor Paiva e Uyara Ramos
09 - Olhos da Cara - Nuno Ramos
10 - Maré Alta - Tibério Azul, Castor Luiz e Rodrigo Lemos
11 - Reza Para Um Querubim - Luiz Felipe Leprevost, Troy Rossilho e Thiago Menegassi

Espaço do Artista



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Opanijé - Opanijé (2014)

O que se pode esperar quando se junta, RAP, Consciência Negra e os Samplers mais inusitados? Um grupo q não poderia ter outro nome: Opanijé. O grupo de RAP Opanijé (Organização Popular Africana Negros Invertendo o Jogo Excludente) surgiu no final de 2005, tendo como integrantes, Lázaro Erê (voz e letras), Rone Dum-Dum (voz e letras) Dj Chiba D (toca-discos) e Zezé Olukemi (percussão).

Com a proposta de fazer um estilo próprio de RAP, com letras que exaltam a cultura negra e a ancestralidade africana, a banda une o que há de mais moderno nas tendências musicais, como: samplers, efeitos e batidas eletrônicas ao que temos de mais tradicional na cultura afro-baiana, como o uso de berimbaus, instrumentos percussivos e cânticos de candomblé, transformando, fé, aprendizado, amizade e consciência em música.

Preço – R$20,00

Faixas:
01 - Encruzilhada - Lázaro Erê, Rone Dumdum e Heider
02 - O.P.A.N.I.J.E - Lázaro Erê e Rone Dumdum
03 - A Cura - Lázaro Erê e Rone Dumdum
04 - Sangue de Angola - Rone Dumdum, Aspri, Lázaro Erê e Gomez
05 - Hoje Eu Acordei Mulher - Lázaro Erê e Rone Dumdum
06 - Deus Que Dança - Lázaro Erê e Rone Dumdum
07 - Aqui Onde Estão - Lázaro Erê e Rone Dumdum
08 - Valeu Zumbi - Lázaro
09 - Se Diz - Lázaro Erê e Rone Dumdum
10 - Se Você Ainda Não Notou - Lázaro Erê e Rone Dumdum
11 - Eu Sou - Lázaro Erê e Rone Dumdum
12 - Vamuinvadir - Lázaro Erê, Rone Dumdum e Sereno Loquaz
13 - O Último Dragão - Lázaro Erê e Rone Dumdum
14 - O Que Eu Quiser - Lázaro Erê, Rone Dumdum e X

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Anjo Gabriel - Lucifer Rising (2013)

Interessante o segundo passo dado pela banda pernambucana Anjo Gabriel. Após lançar em 2010 o seu primeiro disco, o excelente e justamente aclamado O Culto Secreto do Anjo Gabriel, o quarteto formado por Cristiano Ras (guitarra e voz), André Sette (teclado, theremin, flauta e voz), Marco da Lata (baixo e voz) e CH Malves (bateria) ousa em seu segundo álbum. Batizado como Lucifer Rising, o trabalho é uma trilha alternativa para o filme homônimo do cineasta norte-americano Kenneth Anger, película essa que contou com a participação ativa de Jimmy Page (como você sabe, a cabeça do Led Zeppelin) na produção executiva e também na composição de sua trilha sonora original. Porém, devido a desentendimentos entre Page e Anger, o guitarrista inglês abandonou o projeto e manteve as músicas que havia composto inéditas por décadas, lançando-as apenas em 2012 em um LP vendido somente através de seu site oficial.

O que o Anjo Gabriel faz no seu segundo disco é imaginar uma nova trilha para o filme de Kenneth Anger, em um caminho sonoro que não tem nada a ver com o proposto por Page. A ideia para o projeto surgiu em 2010, na mostra Play the Movie, realizada durante o festival No Ar Coquetel Molotov, em Recife, onde as bandas eram convidadas a imaginar uma trilha sonora para determinados filmes. O resultado ficou tão bom que a banda resolveu fazer desta experiência o seu segundo disco.

Lucifer Rising é um álbum curto, com duração de pouco mais de 30 minutos. São duas suítes instrumentais, cada uma em um dos lados do vinil. O lado A conta com uma composição de mais de 18 minutos e que apresenta elementos do rock progressivo e jazz fusion mesclados ao hard lisérgico característico do Anjo Gabriel. Já o lado B traz uma faixa com 12 minutos de duração e que mostra o lado mais pesado da banda, tendo a guitarra de Cristiano Ras em primeiro plano.

Evidentemente, a experiência só fica plenamente completa ao colocar para rodar, simultaneamente, o disco e o filme de Anger. Dessa maneira, é possível visualizar em sua plenitude o que o Anjo Gabriel fez, guiando a sua música conforme as nuances e climas apresentados nas cenas. No entanto, a música sobrevive plenamente e anda com as próprias pernas sem a associação com a obra cinematográfica.

Surgindo um pouco mais madura e menos psicodélica do que no seu disco de estreia, a banda mostra em Lucifer Rising o porque de ser considerada, tanto pela crítica quanto pelo público, um dos grandes nomes do rock brasileiro. Os arranjos presentes neste segundo disco atestam isso, com lindas passagens instrumentais e trechos que mesclam agressividade, peso e até uma certa melancolia. O Anjo Gabriel avança em Lucifer Rising, reafirmando a qualidade de sua música e o quão diferenciada ela é na cena brasileira.

Fechando o pacote, a arte gráfica é de cair o queixo. A bela capa, criada por Thiago Trapo, traduz a sensação transmitida ao ouvir o álbum. E o design de todo o projeto, assinado por Camilo Maia, torna essa experiência ainda mais efetiva, em uma belíssima capa dupla.

Há que se mencionar também a decisão da banda de lançar Lucifer Rising, em um primeiro momento, apenas no formato vinil. O tipo de som que o grupo faz ganha outra dimensão ao ser degustado em LP, com a música tomando formas e cores muito mais evidentes. A prensagem em 180 gramas, excelente e feita fora do Brasil, também merece destaque, com uma qualidade sonora digna da obra dos pernambucanos.

Por tudo isso, Lucifer Rising é um item indicadíssimo para quem curte rock de primeira linha. Há pouquíssimas bandas brasileiras fazendo um som como esse, e, dentro desse universo, há apenas o Anjo Gabriel entregando uma música tão bela, mágica e contundente quando a que está não apenas em Lucifer Rising, mas também em seu trabalho anterior.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Lucifer Rising Part I
I - Volcanos & Lizards (Drone)
II - Navasteps
III - Förvandlas Till Ar (Se Transformar em Ar)
IV - Ascenção dos Druídas
02 - Lucifer Rising Part II
V - Tigre
VI - Melting Transition
VII - The High priestess's Slide
VIII - Pass
IX - UFO's Wizard Flashback

Faixas compostas por Rás, Sette e Shanti

Espaço do Artista


Blubell - Diva é a Mãe (2014)

O titulo "Diva é a Mãe" já estava na cabeca da compositora há tempos. Ele aparece em um dos cartazes que ela mostra para a câmera no clipe da música "Chalala", de 2011.

"Esse disco é um retrato da minha vida entre 2011 e 2013. Todas as canções autobiográficas e tudo o que está ali faz muito sentido pra mim."
A influência do jazz continua, mas agora entramos também em um clima de baladas e "doowops" anos 50.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Protesto
02 - Blue
03 - Roast Beef
04 - Regret
05 - Picnic
06 - Bandido
07 - Baecause I Do
08 - Roast Beef
09 - A Mulher Solteira e O Homem  Pavão
10 - If You Only Knew
11 - Diva Uma Ova
12 - Pra Não Sentir
13 - Roast Beef - Parte 3

Todas as músicas e letras compostas por Blubell 

Espaço do Artista


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

João Arruda - Celebrasonhos (2007)

Misturando diferentes sonoridades de instrumentos como a viola brasileira, violões, percussão e vozes, este CD contém músicas intrumentais e canções que navegam pela musicalidade de vários povos e tempos diferentes. Uma boa mistura de sonoridades da viola brasileira, cantos de vaqueiros e músicas da cultura popular.

Participação do Trio da Terra formado pelos músicos Ronaldo Pizzi (Violões, Contrabaixo e Voz), Pedro Romão (Percussão e Voz) e Alexandre Lemos (Percussão e Voz) mesclamos as raízes da viola caipira, melodias e ritmos brasileiros, canto de vaqueiros, viola nordestina, com elementos sonoros de várias partes do mundo.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Águas Rio Abaixo - João Arruda
02 - Riacho e Batuques da Lapinha - João Arruda e Domínio Público
03 - Pedra Branca - João Mendes
04 - Canção do Boi - João Arruda e João Mendes
05 - Circulos - João Arruda
06 - Tema das Ervas - Illo Krugli e Ronaldo Mota
07 - Canela e Candeia - João Mendes e João Arruda
08 - Quadra do Sertão Trecho - Domínio Público recolhido por Josino Medina
09 - Chapéu de Palha/Ó Mana/Remo da Canoa - João Bá, Luiz C. Bahia e Domínio Público
10 - Chão de Reis - João Arruda, João Mendes e Cassiano Nogara
11 - Estrada/Tema do Zé Padre - João Arruda
12 - La Boliviana - Folclore Boliviano
13 - Suite: Daqui Para O Norte - João Arruda
I - Aboio/Boi de Roça
II - O Trem
III - O Baião
14 - Pife de Taboca - Luís Campos e João Arruda
15 - O Menino e A Terra - João Arruda        

Espaço do Artista


João Bá - Cavaleiro Macunaíma (2013)

“João Bá completou 80 anos e segue cantando e criando com uma força incrível. O mestre já compôs em parceria com nomes como Almir Sater, Hermeto Paschoal, Dércio Marques, Diana Pequeno, Marlui Miranda, entre outros. É uma figura muito alto astral”, afirma o violeiro João Arruda.

“Acabamos de concluir as gravações do novo CD dele, 'Cavaleiro Macunaíma', João Bá 80 anos, que produzi junto com Levi Ramiro (cantor e violeiro) e conta com cerca de 35 participações muito especiais, um álbum comemorativo dos seu 80 anos de vida”, conta Arruda. O disco tem parceiros como Xangai, Gereba, Toninho Carrasqueira, Déa Trancoso, Bule Bule, Daniela Lasalvia, Dinho Nascimento, Fernando Guimarães, Paulo Freire entre outros. “Foi gravado em cinco estados brasileiros: Bahia, Minas, Goiás, Amazonas e São Paulo.”

João Bá nasceu em Crisópolis, no sertão da Bahia. Canta e escreve desde os 12 anos e compôs pelo menos 200 canções. É hoje um dos mais respeitados cantadores vivos na Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Desde 1966 participa de shows e festivais pelo País, tendo se destacado no Festival da TV Tupi com a música Facho de Fogo, feita em parceria com Vidal França e defendida por Diana Pequeno.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Bom Jesus dos Dendês - João Bá e Toninho Carrasqueira
02 - Boi Liberdade - João Bá e João Arruda
03 - Cavaleiro Macunaíma - João Bá e Ivone Cerqueira
04 - Fotossínteses - João Bá
05 - Coração do Vale - João Bá e Fernando Guimarães
06 - Jalapão Encantado - João Bá
07 - Urucum - João Bá Sérgio Turcão
08 - Cantiga das Lavadeiras - João Bá, Sérgio Teixeira e Edu Barreto
09 - Paranapiacaba - João Bá e Levi Ramiro
10 - Zambabiô - João Bá
11 - Feira de Patamuté - João Bá, Gereba e João Arruda
12 - Pé de Cipó - João Bá e Fernando Guimarães
13 - Lavadeiras do Jequitinhonha - Joçao Bá, Joaquim Celso Freire e Nádia Campos
14 - Ilha de Comandatuba  - João Bá e Rita de Cássia Costa
15 - Constelação de Manaus - João Bá, Fernando Guimarães e Nádia Campos
16 - Tuiuiú - João Bá



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Goretti Alves - Saberes (2013)

CD de estréia de Goretti Alves, ela canta Marcos Ferreira, Genildo Costa, Iremar Leite, Concriz, Antonio Francisco, Luiz Fábio e direção Musical de Gideão Lima.

É um momento muito musical esse que vivemos hoje em nosso estado. O Rio Grande do Norte  tem mostrado, como num passado não muito distante, que temos música de boa qualidade.

Preço – R$20,00

Faixas:
01 - Minha Casa - Marcos Ferreira
02 - Jandaíra - Iremar Leite
03 - Espantalho - Iremar Leite
04 - A Vida é Linda - Luiz Fábio
05 - Coco da Passarada - Concriz e Antônio Francisco
06 - Santa Luzia - Luiz Fábio
07 - Meu Rio - Antônio Francisco e Gideão Lima
08 - Samba do Alto - Paulo Eric
09 - Engenheiro do Mundo - Luiz Fábio
10 - Coisas de Casal - Luiz Fábio

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ná Ozzetti - Embalar (2013)

EMBALAR é o décimo disco da cantora e compositora Ná Ozzetti em carreira solo. O trabalho foi realizado por Ná e os músicos Dante Ozzetti (violões), Mário Manga (guitarras e violoncelo), Sérgio Reze, (bateria e gongos melódicos) e Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo acústico) e conta com as participações especiais de Mônica Salmaso, Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Ivan Vilela, Marcelo Pretto, Mariana Furquim e Uirá Ozzetti.

No repertório canções inéditas, da cantora e seus parceiros Dante Ozzetti, Luiz Tatit, Alice Ruiz, Kiko Dinucci, Manu Lafer, Makely Ka, Déa Trancoso e Tulipa Ruiz, entre outros.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Embalar - Dante Ozzetti e Luiz Tatit
02 - Musa da Música - Dante Ozzetti e Luiz Tatit
03 - A Lente do Homem - Manu Lafer
04 - Minha Voz - Déa Trancoso
05 - Miolo - Ná Ozzetti e Luiz Tatit
06 - Lizete - Kiko Dinucci e Jonathan Silva
07 - Nem Oi - Dante Ozzetti e Makely Ka
08 - Olhos de Canções - Ná Ozzetti e Alice Ruiz
09 - As Estações - Dante Ozzetti e Luiz Tatit
10 - Os Enfeites de Cunhã - Ná Ozzetti e João Gomes
11 - Pra Começo de Conversa - Ná Ozzetti e Tulipa Ruiz

Espaço do Artista



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

João Arruda - Venta Moinho (2013)

O CD "Venta Moinho" apresenta as mais recentes composições do campineiro João Arruda e suas parcerias com João Mendes Rio, Adriano Rosa, Levi Ramiro, Katya Teixeira, entre outros.

Em adaptações de temas da cultura popular brasileira, harmônicos vocais do oriente e outros sons de diversos cantos do mundo, os arranjos têm diferentes nuances e sonoridades atravessadas por melodias e ritmos tradicionais que unem música brasileira, andina e europeia.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Abertura Mata Escura - Domínio público, adaptação de Josino Medina e João Arruda
02 - Moçambique: Pombo Correio/Devagarinho/Recado - Capitão Júlio Antônio do Terno de Moçambique de Perdões-MG
03 - Rosa dos Ventos, andanças - João Arruda
04 - Pé de Abóbora/Viola, Viola - Samba Chula de São Brás - Santo Amaro - BA, recolhido com mestre João Boi adaptação João Arruda
05 - Ponteio de Chuva - João Arruda
06 - Boi da Montanha  - Vinheta - João Mendes Rio e Fernando Guimarães
07 - Aguna - João Arruda
08 - Viola - Levi Ramiro
09 - Loa de Rio - Adriano Rosa e João Arruda
10 - Altiplano - Tradicional de La Quebrada de Humahuaca - Argentina
11 - Vento Viajeiro - João Arruda e Kátya Teixeira
12 - Estrela dos Reis - (Tradicional) Zona da mata norte de Pernambuco adaptação João Arruda
13 - Ciranda do Rio - João Mendes Rio   

Espaço do Artista

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cérebro Eletrônico – Vamos Pro Quarto (2013)

É bom ver que a música brasileira atual não está apenas restringida no modelo voz e violão dos novos nomes do que pode ser chamado de MPB. Artistas vem inovando e trazendo novos elementos, ou resgatando, para comporem suas obras. E é com essa aventura sonora que o Cérebro Eletrônico, após três anos desde o último lançamento, chega com mais um novo disco: Vamos Pro Quarto!.

Há pouco mais de duas semanas Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Roberta Sá (fazendo as vezes de Baby do Brasil) tocaram sucessos dos Novos Baianos em apresentação no Rock in Rio. Uma banda que infelizmente não é de conhecimento de boa parta de tal geração, mas que com certeza a deixou encantada e interessada em ouvir mais materiais que soassem de tal maneira. Guardadas as devidas proporções é um pouco dessa musicalidade, misturada com um toque de Tropicália e batidas eletrônicas que vemos nas canções de Vamos Pro Quarto!.

O quinteto paulista mais uma vez nos presenteia com letras divertidas e que oscilam entre o cotidiano como em Um Brinde aos Pássaros (“Viva os pássaros/Das matas, das florestas/Na caatinga e no cerrado/Pássaros em festa”) e Ancestrais Canibais(“Partiu/Da minha cabeça/A ideia de te ligar às/Cinco da matina/E te chamar prum/plá plá plá plá plá”) e utopias lisérgicas como em Egyptian Birinights(“Dentro de um quarto/Um casal num ato/Transcendental/É quando seres/De outros planetas/Chegam para abuser”) e na com toques de Os Mutantes, Liberem os Faunos (“Libertem os Faunos/Seres míticos, líricos/Toda luz é delírio”).

E tudo isso juntamente com arranjos instrumentais ritmados em um verde e amarelo experimentalista e intenso. O resultado é um álbum vivo e entorpecente, que te faz imergir no mundo da banda e se faz facilmente um dependente quimicamente musical da obra.

As surpresas ficam ainda para o final com A Internet Parou e a faixa escondida No Quartinho - faixa de 22 minutos que passa bem o sentido de “arte pela arte” - que se formam a partir de versos soltos e que aparentemente sem significados e coesão se envolvem de uma maneira que formam um sentido caótico e atmosférico dando um belo fechamento para esse que é mais um excelente trabalho do Cérebro Eletrônico que é de se fritar os miolos.
*por Vitor Ferrari

Preço – R$20,00

Faixas:
01 – Um Brinde Aos Pássaros
02 – Seus Papos Não Colam
03 – Não Bateu
04 – Oh! My Lou
05 – Libertem Os Faunos
06 – Tristeza Retro
07 – Canibais Ancestrais
08 – Egyptian Birinights
09 – A Internet Parou

Composições de Cérebro Eletrônico

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Cérebro Eletrônico – Deus e o Diabo no Liquidificador (2010)

Anda correndo, subterrâneo, um movimento estranho na nova música brasileira. Assolada pela proliferação quase apocalíptica de adolescentes com guitarras demais e cérebros de menos, a cena brasileira criou um vazio de música inteligente, mais criado do que produzido. O que tem confundido muito as coisas. Em questão de música popular brasileira – não a MPB, mas a música que faz sucesso hoje no Brasil – sobra tanto bons argumentos quanto preconceitos disfarçados de justificativa para desqualificação. De um lado, a opinião bem sustentada de que o happy rock pode até ser comportado, mas desmiolado. Do outro, um preconceito ligeiramente elitista que cria uma resistência em aceitar, nos últimos anos, manifestações populares de raiz como legítimas ou dignas de algum interesse que não seja condescendente, entre eles o tecnobrega.

O Cérebro Eletrônico, junto à boa parte da nova geração de artistas “independentes” brasileiros, é a solução de um problema. E “Deus e o Diabo no Liquidificador” é a prova disso, a evidência de que há jeito de fazer música comercial de qualidade no Brasil, incorporando elementos de gêneros malditos e (imagine só!) bregas em um som que agradaria a muita gente. Terceiro lançamento do conjunto, o disco apresenta um quinteto que, a título de reducionismo, apresenta uma levada roqueira, mas que, a titulo de esclarecimento, se recusa a fazer um só tipo de música. É certo que diversidade estilística quando se vive (e se ouve) o espelho partido que é a cultura do mashup não é tanto informação quanto um argumento muleta, mas o que se pretende dizer é que o Cérebro Eletrônico, no ponto em que está, não é tanto uma banda de rock quanto uma banda de pop, livre para aproveitar o estilo que lhe convém e tirar dele a universalidade que lhe cabe.

O que é uma atitude genuinamente antropofágica – a questão não é misturar as coisas, e sim de misturar tudo que rola, de bom e de ruim, nessa sopa grossa e indecifrável que é a cultura pop. Houvesse a oportunidade, o disco teria chances reais de emplacar nas paradas e encher estádios, mas, por motivos que são fáceis de sentir e difíceis de precisar, a nova geração brasileira ainda sofre um preconceito muito grande por sua pegada suposta e pejorativamente “alternativa”.

E é esse tipo de discussão que a música de “Deus e o Diabo no Liquidificador” propõe por tabela, a de refletir sobre o que faz com que certa música toque todo dia na rádio e outra, com igual potencial, fique restrita a um “quarteirão”. E o que importa, aqui, é que a sensibilidade de Decência ou o melodrama acertado da balada-de-isqueiro-aceso-no-ar que é Cama são sucessos possíveis, realizáveis.

A verdade é que grande parte das promessas musicais brasileiras vistas nos últimos dois anos dialogam muito com o pop como prática comercial, mas não necessariamente vendida. Para citar outras bandas que se encaixam na mesma leva, Tulipa Ruiz tem um som tão delicado e simpático que poderia entrar – mas não entra – em novela, o Holger cita Luiz Caldas como referência em seu disco de estréia e o Do Amor já mostrou afeição por música paraense e axé-music oitentista. Nenhum deles, parece, tem medo de ser populares. O que não significa que seus sons sejam submissos ou submetidos a uma lógica de produto. Pelo contrário: o que fazem é cada vez mais afirmar seus trabalhos como além de “música de supermercado”, comprada e largada quase no mesmo momento.

O que distingue “Deus e o Diabo no Liquidificador” de seus pares é que, em vez de ter um caráter de “importação” musical mais afeito ao indie internacional (caso do Holger) ou filtrar referências populares por uma estética torta, de aceitação mais difícil – caso do Do Amor – o disco tem um pouco menos de proposta e um pouco mais de execução direta e sem firulas. O que não é melhor nem pior, só diferente. O Cérebro Eletrônico não quer, ironicamente, fazer música cerebral, trabalhar com hermetismo ou encher suas letras de mensagens cifradas. O Cérebro Eletrônico quer ser – e é, mesmo que as pessoas não se dêem conta disso – um conjunto que destila radiofonia e viés autoral em medidas iguais. E faz isso dentro de um universo identificável, uma realidade “logo ali”, cheia de modernosos, “vestidos transadinhos”, rapazes indecentemente apaixonados e garotos que, depois de um fora, vão à forra.

Ao fazer um disco que inclui, sem problemas nem esclarecimentos, o trava língua carnavalesco de “Desquite”, a levada folk de “Garota Estereótipo” e a psicodelia debochada de “O Fabuloso Destino do Chapeleiro Louco”, Tatá Aeroplano e seus companheiros se posicionam ao lado d’Os Mutantes, do Gilberto Gil, da Gal Costa, da Pitty de “Me Adora”, dos Titãs, do Pato Fu, enfim, ao lado de quem quer que seja que tenha feito, pura, simples e (o mais importante) inteligentemente, música pop. Com toda a controvérsia, contradição e pluralidade que a palavra acarreta, unidas e despedaçadas pela hélice de um eletrodoméstico.

["Deus e o Diabo no Liquidificador", Cérebro Eletrônico. 11  faixas com produção de Alfredo Bello e Fernando Maranho. Lançado pela Phonobase  em outubro de 2010.]
*por Rafael Abreu

Preço – R$20,00

Faixas
01 – Decência – Tata Aeroplano, Fernando Maranho e Gustavo Souza
02 – Cama - Tata Aeroplano
03 - O Fabuloso Destino do Chapeleiro Louco - Tata Aeroplano, Fernando Maranho e Gustavo Souza
04 - Os Dados estão Lançados - Tata Aeroplano e Fernando Maranho
05 - Garota Esteriótipo - Tata Aeroplano, Fernando Maranho
06 - 220V – Peri Pane, João Zilo, Daniel Xingu e Rafael Martinez
07 - Sóbrio e Só - Tata Aeroplano e Fernando Maranho
08 – Desestabelecerei - Tata Aeroplano e Fernando Maranho
09 – Desquite - Tata Aeroplano e Isidoro Cobra
10 - Realejo em Dó - Tata Aeroplano e Fernando Maranho
11 - Deus e o Diabo no Liquidificador - Tata Aeroplano e Marcelo Coutelo

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Tatá Aeroplano (2013)

TATÁ AEROPLANO, compositor e ‘front-man’ das bandas ‘Cérebro Eletrônico’ e ‘Jumbo Elektro’ lança agora seu primeiro disco solo intitulado “Tatá Aeroplano”. Simples assim, da mesma forma como assina suas canções, seus shows, seus ‘sets’ como DJ e as inúmeras participações nos trabalhos de outras bandas e amigos.

Tatá Aeroplano é um dos agitadores da “paulicéia desvairada”, com suas anotações, documentadas em forma de música, sobre o comportamento afetivo da sua geração.
Trata-se de um álbum de autor. Reúne canções compostas a partir de 2008, quando Tatá mergulha definitivamente na noite paulistana, e passa a viver intensamente a cidade. Faz shows, viaja com suas bandas, discoteca em diversos ‘night clubs’ e colabora musicalmente com vários artistas de sua geração, entre eles Paulo Beto (Anvil Fx), que o convidou para integrar as bandas ‘Zeroum’ e ‘Frame Circus’.

Para produzir seu disco convidou Dustan Gallas e Junior Boca. Os dois trabalharam em parceria na produção do elogiado “Journal de Bad”, álbum de estréia da cantora e compositora Bárbara Eugênia. Ela também participa do disco fazendo um dueto na canção “Uma Janela Aberta”, parceria de Tatá Aeroplano com o poeta arrudA.

O álbum foi todo gravado em São Paulo no Estúdio Minduca pelo músico e produtor Bruno Buarque. Bruno também toca bateria em sete faixas e Clayton Martin (Cidadão Instigado) assumiu as baque- tas nas outras 3 faixas. O compositor Peri Pane foi acompanhar um dia de gravação e acabou corando em “Machismo às Avessas”. Essa música também contou com a participação e teclados do músico Maurício Fleury, das bandas ‘Bixiga 70’ e ‘Frame Circus’.

Outro amigo e parceiro de Tatá, o cantor e compositor Leo Cavalcanti, é co-autor da faixa “Sartri- ana”, que abre o disco. Leo empresta sua voz em “Sartriana” e em “Tudo Parado na City” e, segundo Aeroplano, ele foi um dos maiores incentivadores para que finalmente gravasse seu primeiro trabalho solo.
O disco inteiro foi feito sob forte inspiração coletiva, onde as idéias e arranjos fluiram coletivamente em grupo. Dustan Gallas contribuiu com gravações e arranjos adicionais praticamente em todas as faixas.

A música “Cão sem Dono”, que encerra o disco, nasceu após o músico assistir o filme homônimo dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca, película que retrata muito bem a geração da qual ele faz parte. A canção “Par de Tapas que Doeu em Mim”, um épico romântico de 10 minutos, conta as agruras de um casal que briga durante uma noite inteira na famigerada Rua Augusta, que desde a Jovem Guarda faz parte do imaginário pop da cidade.

Preço – R$20,00

Faixas:
01 – Sartriana – Leo Cavalcanti e Tatá Aeroplano
02 – Perigas Correr – Tatá Aeroplano
03 – Par de Tapas Que Doeu Em Mim – Tatá Aeroplano
04 – Um Tempo Pra Nós Dois – Tatá Aeroplano
05 – Tudo Parado Na City – Tatá Aeroplano
06 – Uma Janela Aberta – arrudA e Tatá Aeroplano
07 – Te Desejo Mas Te Refuto – Tatá Aeroplano
08 – Machismo às Avessas – Tatá Aeroplano
09 – Night Purpurina – Tatá Aeroplano
10 – Cão Sem Dono – Tatá Aeroplano  

Espaço do Artista